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Autossabotagem: Quando Somos Nossos Próprios Obstáculos

  • Foto do escritor: Tatiana Moita
    Tatiana Moita
  • 4 de out. de 2024
  • 4 min de leitura

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A autossabotagem é um fenômeno psicológico que muitas vezes passa despercebido. Ela surge quando, mesmo sem percebermos, criamos barreiras para o nosso próprio sucesso e bem-estar. É como se, em algum nível, nossos pensamentos, emoções e comportamentos estivessem em conflito, nos levando a boicotar aquilo que mais desejamos. Mas por que isso acontece? O que leva uma pessoa a agir contra si mesma?

 

A psicologia nos mostra que a autossabotagem está intimamente ligada aos padrões de pensamento e às crenças que desenvolvemos ao longo da vida. Desde cedo, formamos crenças sobre quem somos e o que merecemos com base nas nossas experiências. Se em algum momento vivemos situações de fracasso ou rejeição, é comum que essas vivências deixem marcas profundas, mesmo que inconscientes. Essas marcas podem se manifestar em crenças limitantes, como “não sou bom o suficiente”, “não mereço ser feliz” ou “não vou conseguir”. Essas crenças, quando não são desafiadas, tornam-se o pano de fundo das nossas ações e decisões, guiando-nos por caminhos que nos impedem de alcançar nossos objetivos.

 

A autossabotagem pode se manifestar de várias formas: procrastinação, autocrítica excessiva, perfeccionismo, medo do sucesso ou até mesmo comportamentos autodestrutivos, como negligenciar a própria saúde. À primeira vista, pode parecer que essas ações não fazem sentido, mas do ponto de vista psicológico, elas estão diretamente ligadas à forma como lidamos com o medo e a vulnerabilidade.

 

Freud foi um dos primeiros a estudar o conceito de autossabotagem, observando que o nosso inconsciente muitas vezes age contra os nossos desejos conscientes. Em sua teoria do “instinto de morte”, ele sugeriu que, em algumas circunstâncias, tendemos a buscar padrões autodestrutivos, principalmente quando o sofrimento é algo familiar para nós. Ou seja, mesmo que saibamos que determinado comportamento nos faz mal, continuamos a repeti-lo porque, de alguma forma, nos sentimos mais “seguros” dentro desse padrão conhecido do que em algo novo e desconhecido.

 

A psicologia cognitiva também oferece uma explicação valiosa para o fenômeno da autossabotagem. Segundo essa abordagem, nossos pensamentos automáticos influenciam diretamente nossas emoções e comportamentos. Quando acreditamos que não somos capazes de alcançar algo, mesmo que de maneira inconsciente, acabamos agindo de forma a confirmar essa crença. Isso cria um ciclo de autossabotagem: acreditamos que não conseguimos, agimos como se não conseguíssemos, e o resultado é o fracasso, que reforça ainda mais a crença original. Essa dinâmica pode ser quebrada, mas para isso é necessário identificar esses pensamentos automáticos e substituí-los por crenças mais realistas e positivas.

 

O medo do sucesso também pode ser um grande motor da autossabotagem. Às vezes, alcançar o que tanto desejamos pode significar mudanças profundas na vida, como assumir mais responsabilidades, lidar com expectativas maiores ou até mesmo romper com pessoas e situações que antes faziam parte da nossa zona de conforto. A ideia de sair dessa zona, mesmo que em direção a algo positivo, pode gerar tanta ansiedade que preferimos, inconscientemente, nos manter estagnados.

 

A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é uma das abordagens mais eficazes para lidar com a autossabotagem, pois ajuda o indivíduo a identificar padrões de pensamento disfuncionais e a modificar comportamentos que o prejudicam. A TCC parte do princípio de que podemos reestruturar nossas crenças e adotar novos padrões de pensamento que nos aproximem dos nossos objetivos, em vez de nos afastar deles. O processo envolve não apenas a identificação das crenças limitantes, mas também a prática de novos comportamentos que desafiem esses padrões.

 

Outro conceito relevante para a autossabotagem é o “autoconceito”, que na psicologia refere-se à imagem que temos de nós mesmos. Se nosso autoconceito está danificado, tendemos a agir de maneira a confirmar essa visão negativa. Alguém que se vê como incapaz de estabelecer relações saudáveis, por exemplo, pode, sem perceber, escolher parceiros que reforcem essa crença, perpetuando um ciclo de relacionamentos disfuncionais. O trabalho terapêutico, nesse caso, envolve a construção de um autoconceito mais positivo e realista, baseado nas qualidades e habilidades que a pessoa realmente possui.

 

Assim também, é importante lembrar que a autossabotagem é uma forma de defesa. Ela surge como uma maneira de nos proteger do fracasso, da dor e da frustração. No entanto, ao tentar evitar esses sentimentos, acabamos nos limitando e deixando de viver plenamente. Reconhecer a autossabotagem é o primeiro passo para superá-la. A partir daí, podemos começar a trabalhar conscientemente para mudar nossos padrões de pensamento e comportamento, permitindo que nossas ações estejam alinhadas com os nossos desejos e objetivos.

 

A autossabotagem não é um destino, mas um desafio psicológico que pode ser enfrentado. Quando nos permitimos olhar para dentro, identificar as raízes desse comportamento e buscar novas formas de agir, abrimos espaço para o crescimento pessoal e emocional. Afinal, somos os principais responsáveis por construir o caminho que desejamos seguir.

 

Reflexão Final

 

A autossabotagem é um inimigo silencioso, muitas vezes invisível aos nossos próprios olhos. Ela surge não para nos punir, mas como uma tentativa de nos proteger de algo que acreditamos, em algum nível, ser doloroso demais para enfrentar. Porém, ao evitarmos o desconforto, acabamos nos limitando e impedindo nosso crescimento. O verdadeiro desafio está em reconhecer esses padrões e confrontá-los com coragem. O caminho para o autoconhecimento e para uma vida plena passa por esse olhar cuidadoso e honesto para si mesmo. Quando somos capazes de transformar nossa relação com as crenças limitantes, abrimos espaço para o florescimento de nosso verdadeiro potencial. Afinal, somos capazes de muito mais do que imaginamos, e o primeiro passo para superar a autossabotagem é acreditar nisso.

 

 

Referência:

 

ALMEIDA, Ana Maria. Autossabotagem: entenda como vencê-la. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2019.

 
 
 

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